Primeiro Capítulo Capítulo 1
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Meta 06/2026 (39,00%)Postado por miggigibe, ? Visualizações, Lançado em maio 30, 2026 ÍndicePróximo PDF
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Tradutor/Revisor: miggigibe
Epígrafe: Se a vida pudesse permanecer para sempre como no primeiro encontro.
A escuridão era vasta e vazia, pressionando-o por todos os lados.
Um vento gelado cortava até os ossos. Sombras se moviam, flutuavam, rodeavam. Relâmpagos silenciosos espalhavam um verde pálido e fantasmagórico, iluminando o mundo por um único instante antes de desaparecerem sem deixar rastro.
Crii!
O grito agudo de um pássaro atravessou os ouvidos de Ding Songyan e o arrancou do torpor. Faíscas de lucidez acenderam em meio à névoa que lhe embotava a mente.
Onde…
Onde eu estou…
Um sonho?
A percepção o atingiu de uma vez. E, junto com ela, as lembranças vieram rolando como uma avalanche.
Merda!
Ele praguejou por dentro, amargo e furioso, enquanto começava a reconstruir o que havia acontecido.
Como é que eu fui acabar me metendo com um bando de lunáticos daqueles?
Na juventude, fora inteligente, precoce, bom nos estudos e razoável nos esportes. Sempre tivera uma opinião elevada demais de si mesmo, menosprezando uns, desdenhando de outros, com a arrogância típica de quem ainda não havia sido humilhado pela vida.
Então deixou a escola, e o mundo real não demorou a triturá-lo.
Sua confiança e seu orgulho foram despedaçados. Ele jamais admitiria isso em voz alta, mas sabia muito bem: naquele período, havia se tornado inseguro e sensível demais.
Desgraça após desgraça se acumulou. Sua família entrou em dificuldades. Ele talvez tivesse se afogado naquilo — nos padrões nocivos, nas explosões, nas feridas que causava às pessoas mais próximas — se alguém não tivesse permanecido ao seu lado durante tudo, encorajando-o, sustentando-o.
Pouco a pouco, ele recuperou a confiança.
No fim, conseguiu. Seu negócio deu certo, e ele se tornou um homem de posses consideráveis.
Achou que, dali em diante, tudo só melhoraria.
Depois de um banquete, decidiu estender a noite em um restaurante ao ar livre com alguns investidores e parceiros importantes, relembrando o passado, brindando ao futuro. Em algum momento, um dos investidores entrou em conflito com um grupo de jovens na mesa ao lado, e os empurrões começaram.
Ele interveio de imediato, tentando acalmar a situação. Como tinha mais a perder do que eles, já estava até preparado para abaixar a cabeça e pedir desculpas na hora.
Quem poderia imaginar…
Ei, qual é o seu problema?
Você vai puxar uma faca por uma coisa dessas?
Se tivesse avisado que era doido, eu teria ficado bem longe. Melhor um investidor morto do que eu morto!
Que tipo de lunático faz isso?
— Ótimo. Parece que eu ainda não morri… hm, provavelmente ainda não acordei também…
Os pensamentos de Ding Songyan continuavam confusos, pesados pelo mesmo torpor.
Ele tentou se forçar a despertar daquele sonho. Seu corpo parecia preso sob algo invisível; cada movimento exigia esforço. Seus olhos estavam presos à escuridão como se emaranhados em cortinas. Quando tentava abri-los, nada via com clareza; quando tentava fechá-los, eles não obedeciam.
Crii!
O canto do pássaro voltou, vindo de algum lugar distante, como se chegasse de outro mundo, indistinto e enevoado.
Ding Songyan avançou em direção ao som por instinto, tropeçando, cambaleando para a frente.
A cada passo, ficava mais desperto.
A cada passo, mover-se se tornava mais fácil.
A escuridão ao redor afinou como fumaça. As sombras se desfizeram como figuras de um sonho. O canto incessante do pássaro parecia ser a única coisa real naquele mundo.
Então, de repente, um feixe de luz rompeu a treva.
Depois outro.
E outro.
Os olhos de Ding Songyan se abriram de súbito, apenas para se fecharem logo em seguida, ardendo com o brilho. Lágrimas brotaram.
Crii, crii, crii. Crii, crii, crii…
O canto claro e límpido de um pássaro soou perto de seus ouvidos, como se estivesse separado dele apenas por uma parede.
— Você acordou?
Uma voz veio logo depois, cheia de alívio, mais agradável do que qualquer canto de pássaro.
Ding Songyan esperou os olhos se acostumarem e então os abriu de novo.
Primeiro avaliou o próprio corpo, procurando a dor que deveria existir. Depois olhou para a pessoa à sua frente.
Era uma garota de quatorze ou quinze anos, com o cabelo preso em dois coques espiralados. Vestia uma jaqueta clara com bordas prateadas sobre uma saia vaporosa amarelo-ganso. Suas feições eram delicadas como uma pintura, limpas e vívidas, cheias de vida.
Ela estava agachada diante dele, observando-o com preocupação sincera.
Ding Songyan frequentara muitos banquetes. Comera, bebera e vira bastante do mundo. Ainda assim, a beleza da garota o deixou atordoado por um instante.
Mas havia coisas mais urgentes ocupando sua mente.
Que hospital é este?
Usar hanfu durante o plantão não é meio pouco profissional? Não inspira muita confiança nos pacientes!
— Eu… Qual é o meu estado?
As palavras saíram ásperas, e ele percebeu o quanto sua garganta estava seca, como se a própria voz pertencesse a outra pessoa.
Ao mesmo tempo, começou a observar os arredores por hábito.
Bastou um olhar para congelar outra vez.
Aquilo não era um hospital.
Era um templo em ruínas. A estátua sagrada de pedra estava lascada e quebrada. Ervas daninhas cresciam pelas frestas entre as lajes. A luz do sol entrava inclinada pelas brechas nas paredes e pelas janelas vazias, trazendo consigo os últimos ecos do canto distante dos pássaros.
Ele estava sentado no chão, apoiado contra uma coluna de madeira.
Fui confundido com um morto, jogado em algum lugar abandonado e encontrado por uma garota de hanfu tirando fotos?
A ideia surgiu automaticamente, irônica, vinda dos romances que havia lido nos tempos de escola.
Ele a descartou quase de imediato.
Havia testemunhas demais. Um carro de polícia estava parado na esquina. Aquele bando de idiotas jamais teria tido a chance de mover um corpo.
A garota respondeu à pergunta dele com alegria desarmada:
— Eu verifiquei. Você está bem!
Bem?
Ele baixou os olhos para o próprio abdômen.
Nem um traço de dor… E este lugar… Estas roupas…
Não pode ser. Eu transmigrei?
Não, por favor. Eu nem comecei a aproveitar a vida ainda!
Ding Songyan ergueu devagar a cabeça e olhou para a garota, escolhendo as palavras com cuidado.
— E você é…?
Ele já havia feito um inventário silencioso do corpo atual e não encontrara nada. Nem um único fragmento de memória pertencia a ele. Seu próprio passado, por outro lado, avivado pelo que acabara de reviver, estava claro como sempre.
Nesse caso, interpretar um papel que não conhecia só acabaria o destruindo.
Por mais rápido que fosse seu raciocínio, uma mentira exigia outras mentiras para sustentá-la. Quando tudo passasse a depender de mentiras, ser desmascarado seria apenas questão de tempo.
Melhor, então, dizer verdades parciais.
Assim não precisaria manter uma farsa. Não teria que quebrar a cabeça atuando todos os dias, nem viver em medo constante. As pessoas ao redor encontrariam suas próprias explicações razoáveis.
A garota dos coques espiralados se endireitou um pouco. Seus olhos brilharam de repente. Ela inclinou a cabeça com o ar brincalhão de uma artista no palco e perguntou, sorrindo:
— Meu querido irmãozinho, não reconhece nem sua irmã mais velha?
Ela observou o rosto dele ao dizer isso.
A expressão dele não mudou.
Continuou sério. Continuou franzindo a testa.
— …
O sorriso dela congelou.
Algo próximo do pânico entrou em sua voz quando ela perguntou, abandonando por completo a brincadeira:
— Segundo Irmão, você não se lembra de mim?
Ding Songyan balançou a cabeça devagar, com toda a aparência de sinceridade.
— Eu não me lembro de nada.
A garota se levantou de repente.
— Vamos! Temos que voltar para casa agora mesmo. Pai e mãe vão levar você a um médico. Ah, não!
No meio do movimento, ela parou, congelada no lugar como uma figura pintada em seda.
— O que foi? — perguntou Ding Songyan por instinto.
Ela fez uma careta de sofrimento.
— Minhas pernas ficaram dormentes.
Ding Songyan ergueu o rosto e olhou para as vigas cobertas de teias de aranha.
Também se levantou, confirmando que vestia uma túnica de estudioso branca como a luz da lua. Sua altura parecia a mesma de antes da transmigração, perto de um metro e oitenta.
— Pronto, melhorou!
A garota finalmente recuperou a sensação nas pernas e logo estendeu a mão para agarrar a manga dele, pronta para puxá-lo para fora.
Ding Songyan deu um passo para trás sem expressão, fazendo a mão dela fechar no vazio.
— Hm…
Ela ergueu os olhos para ele, os olhos pretos e brancos cheios de confusão.
Ele falou sem pressa:
— Como vou saber se você é mesmo minha irmã?
— Bem… Eu…
Ela o encarou, completamente perdida, como se aquela possibilidade jamais tivesse passado por sua cabeça em toda a vida.
Seus lábios se moveram.
Nenhum som saiu.
Ding Songyan explicou com grande seriedade:
— Senhorita, eu não me lembro de nada. Se você quiser me fazer mal e eu simplesmente acreditar na sua palavra e segui-la até sua casa, não acabaria encontrando algo terrivelmente assustador?
— Isso… isso é verdade…
Ela parecia visivelmente convencida. Então seus olhos se moveram de um lado para o outro.
— Já sei! Já sei o que fazer! Vou voltar e chamar pai e mãe. Eles podem provar que sou sua irmã!
Ding Songyan olhou para a garota, que ainda não parecia ter chegado de fato à idade adulta.
— E como eu saberia se as pessoas que vierem são realmente meu pai e minha mãe?
— …
A boca dela esqueceu de se fechar.
Um longo momento se passou.
Seus lábios se apertaram. Algo indistinto e úmido se acumulou nas bordas de seus olhos brilhantes.
Ela explodiu, magoada, urgente, meio em pânico:
— Eu vou trazer os vizinhos! Vou levar você ao yamen! Pai é escrevente do yamen. Todos os colegas dele o conhecem. Todos podem jurar que ele é seu pai de verdade! Eu sou sua irmã mais nova de verdade…
— Certo. Eu acredito em você.
Ding Songyan falou de repente.
— Ah…
A garota encarou Ding Songyan em perplexidade.
Assim, do nada?
Ding Songyan inclinou levemente a cabeça.
— Dá para perceber que você está sendo sincera.
Oferecer-se espontaneamente para levá-lo à repartição local, ao yamen, e citar tantas testemunhas não era o comportamento de alguém tentando enganá-lo.
Estou disposto a apostar que você nunca assistiu a O Show de Truman!
— Sincera…
Ela inclinou a cabeça, estudando-o com cuidado por um longo momento, então murmurou sem muita convicção:
— Será que devemos ir ao yamen mesmo assim, só para garantir? Você me deixou até meio em dúvida se é mesmo meu Segundo Irmão. Precisaríamos que outra pessoa olhasse para você… As roupas… o rosto… a altura… a marca de nascença… tudo bate…
Enquanto ela deliberava, Ding Songyan fez uma verificação rápida no próprio corpo.
Sem ferimentos.
Energia, surpreendentemente intacta.
Seguindo o exemplo de todos os dramas de época e romances que já havia consumido, ele uniu as mãos em uma saudação de punhos cerrados.
— Senhorita, como devo chamá-la?
— Como deve me chamar?
Ela pareceu achar graça de repente.
— Você sempre me chamou de Irmãzinha. Segundo Irmão, você realmente esqueceu tudo, não foi?
Pensou por um momento e então explicou em detalhes:
— Você é meu Segundo Irmão. Nós temos um irmão mais velho. Pai e mãe estão vivos. Estamos aqui na Prefeitura de Dingjiang há quase meio ano, sob os cuidados de nossa prima, a Irmã Qin, do lado materno.
— Meu nome é Qingyan. Pode me chamar de Irmãzinha ou Irmã Qingyan. Qualquer um dos dois serve.
Ding Songyan absorveu aquilo e deixou sua postura relaxar apenas um pouco.
— Qual é o nosso sobrenome?
Qingyan soltou um som baixinho e ergueu a mão para prender uma mecha solta atrás do coque.
— Segundo Irmão, você esqueceu até isso? Somos Ding.
Ding…
Algo se aguçou no olhar de Ding Songyan. Um pressentimento inesperado.
— E qual é o meu nome?
Qingyan inclinou a cabeça e o encarou por um longo momento.
Então soltou um suspiro baixo e disse, em voz suave, um pouco triste:
— Seu nome é Ding Songyan. Próximo 🛒
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