Cap. 2 O Milhafre de Madeira maio 30, 2026
Ajude a bater a meta mensal de DOAÇÃO e vamos manter o site livre de anúncios!!
Meta 06/2026 (39,00%)Postado por miggigibe, ? Visualizações, Lançado em maio 30, 2026 Anterior ÍndicePróximo PDF
Telegram
Tradutor/Revisor: miggigibe
A resposta foi inesperada, mas não exatamente surpreendente.
Ding Songyan sentiu primeiro o absurdo daquilo, depois a confusão. Em seguida, um suor frio lhe cobriu as costas de uma só vez.
Devo agradecer por não ter precisado trocar de nome, ou devo ficar apavorado com o que uma coincidência desse tamanho pode esconder? Ter o mesmo nome seria a condição essencial para uma transmigração bem-sucedida? Será que o Ding Songyan original transmigrou para o meu mundo? E será que podemos trocar de volta?
Seus pensamentos dispararam, repassando o começo de todos os romances de transmigração que já havia lido.
Ele já havia concluído que aquele corpo estivera morto antes de sua chegada. Em certo sentido, era uma alma tomando emprestado um cadáver. Por isso não encontrava fragmentos de memória, não reconhecia ninguém ao redor e não sabia nada sobre o que havia acontecido ali.
Ding Songyan ergueu os olhos mais uma vez para as vigas e o teto cobertos de poeira e teias de aranha, depois varreu o olhar pelas paredes em ruínas e pela estátua sagrada quebrada, procurando uma câmera escondida.
Procurava o arquiteto de tudo aquilo, alguém que surgisse de repente para dizer que tudo não passava de O Show de Truman.
Essa era a resposta que ele mais queria.
Sua última esperança.
Mas não encontrou nada.
— Vamos — respondeu Ding Songyan, em voz baixa.
Os dois saíram pelo portão desabado.
Ding Qingyan parou no terreno aberto diante do templo, ergueu a cabeça, levou as mãos à boca e gritou:
— Achei! Achei!
Com quem ela está falando?
Ding Songyan seguiu o olhar dela para cima.
Algumas nuvens esparsas flutuavam pelo céu como cães brancos, tingidas pelo vermelho do pôr do sol, fazendo a imensidão cinza-azulada parecer vasta e vazia.
O pensamento mal havia se formado quando uma grande sombra passou por trás deles, engolindo o último brilho do entardecer.
Então uma enorme ave estranha desceu do céu e pousou no chão à frente deles, levantando uma nuvem de poeira como neblina.
Os olhos de Ding Songyan se arregalaram.
Uma… uma ave de madeira?
Aquilo estava voando lá em cima?
Tem algum drone escondido aí dentro?
Ou é uma daquelas espadas voadoras que aparecem nos vídeos?
O que o assustara era uma ave feita inteiramente de madeira, enorme, do tamanho de um grande helicóptero de seu antigo mundo. Nas costas havia uma cabine aberta, onde ele conseguia ver um leme redondo, alavancas e vários acessórios — alguns com brilho metálico, outros exibindo a textura nua da madeira.
A cabeça da grande ave terminava em um bico afiado. Seus dois olhos pintados de vermelho lhe davam uma aura estranha e imponente.
Quando as asas de madeira se aquietaram e a poeira começou a baixar, uma figura saiu da cabine e saltou para o chão.
Desde o momento em que o engenho voador começara a descer, Ding Qingyan já havia coberto o nariz com uma das mãos e protegido os olhos com a outra, com a prática de quem fizera aquilo muitas vezes.
Agora, ela lançou um olhar de lado para Ding Songyan e disse, com a voz um pouco abafada:
— Esta é uma carruagem-milhafre de madeira, feita pelos Qiguren.
Qiguren… Tenho a impressão de já ter ouvido isso em algum lugar…
Ding Songyan observou a figura que se aproximava aos saltos.
A pessoa de jaqueta curta azul era visivelmente diferente de alguém comum. Seu rosto tinha três olhos, o extra posicionado no centro da testa, horizontal como os outros dois, mas atualmente fechado. A parte inferior de seu corpo possuía apenas uma perna, centralizada sob o tronco, o que o obrigava a avançar saltitando.
Dois cintos de couro envolviam sua cintura, carregando uma lâmina curta, um pequeno martelo e uma série de ferramentas, algumas grosseiras, outras finamente trabalhadas.
Fora isso, não era tão diferente de qualquer outra pessoa. Tinha boa aparência e uma pele próxima do bronze.
Ele olhou para Ding Songyan, então se voltou para Ding Qingyan com um sorriso bajulador.
— Irmãzinha Qingyan, você encontrou o Segundo Irmão?
— Quer que eu leve vocês dois de volta na carruagem-milhafre de madeira?
Eu prefiro que não. Não parece especialmente segura…
Ding Songyan recusou por dentro e começou a procurar uma desculpa.
Ding Qingyan balançou a cabeça. Olhou para o sol, que afundara um pouco mais, e disse:
— Irmão Zhongheng, agradecemos pela intenção. Nossa casa não fica longe daqui. Segundo Irmão e eu vamos andando.
Antes que Qu Zhongheng pudesse insistir, ela acrescentou em tom mais suave:
— Podemos incomodá-lo para avisar pai, mãe e Irmão Mais Velho que o Segundo Irmão já está voltando para casa? Não precisam continuar procurando lá fora. Afinal, só a sua carruagem-milhafre de madeira conseguiria fazer isso.
— Claro, claro! Agora mesmo!
Diante da chance de fazer algo útil por Ding Qingyan, o rosto de Qu Zhongheng se iluminou por completo.
Ele saltitou de volta até a carruagem-milhafre de madeira, subiu para a cavidade rasa da cabine, prendeu-se no assento, puxou a alavanca de sustentação e girou o leme redondo.
Ao ver aquilo, Ding Songyan e Ding Qingyan deram vários passos para trás ao mesmo tempo, posicionando-se a uma distância segura, uma das mãos apertando o nariz, a outra protegendo os olhos.
— Irmãzinha Qingyan, vou ser o mais rápido que puder!
Qu Zhongheng acenou enquanto as grandes asas de madeira começavam a bater, erguendo vento ao redor. Aos poucos, ele levantou voo e se afastou na distância.
Quando a poeira baixou novamente, Ding Songyan se virou para Ding Qingyan.
— Você também não se atreve a andar nisso?
Ding Qingyan pareceu um pouco envergonhada. Franziu o nariz.
— Então você esqueceu mesmo. Ai, céus. É porque, um tempo atrás, espalhou-se pela cidade a notícia de que os condutores de madeira e as carruagens de madeira da família Qu podem até estar completos do ponto de vista técnico, mas são completamente pouco confiáveis. A própria mãe dele morreu depois de cair de uma delas.
Não é de admirar. É preciso ter cuidado com construções mecânicas assim…
Ding Songyan sentiu que compreendia bem a hesitação de Ding Qingyan.
Se as carruagens de madeira que andavam no chão já ofereciam tanto risco, uma carruagem-milhafre no ar era outra história.
Ding Qingyan acrescentou:
— Eu fui perguntar a Qu Zhongheng sobre isso. Ele ficou furioso. Disse que era um boato espalhado pelos carregadores de liteiras e cocheiros, preocupados em perder o sustento. Carregadores, barqueiros, corretores… aquele bando todo merecia coisa pior!
— Ele também disse que a morte da mãe não teve absolutamente nada a ver com a carruagem de madeira. Ela caiu na água enquanto passeava de carruagem-milhafre até a Ilha do Portão Mira-Céu, no meio do rio, para contemplar o céu.
— Segundo Irmão, você acha que eu teria coragem de subir nela?
Ding Songyan limpou um suor frio inexistente.
— Qu Zhongheng tem nervos de aço.
— Ele gastou uma fortuna em um guarda-chuva especial que reduz a velocidade da queda no ar. Desde que não se afogue e não caia de uma altura grande demais, não morre — disse Ding Qingyan, parecendo genuinamente fascinada pelo guarda-chuva. — Além disso, a carruagem-milhafre de madeira foi muito aprimorada. Antes, precisava de vento a favor para voar como uma ave. Agora, desde que não haja vento lateral e você não voe longe demais, ela dá conta.
Enquanto falava, Ding Qingyan ergueu o chapéu com véu que carregara na mão esquerda durante todo aquele tempo e o colocou sobre a cabeça, deixando a gaze branca cair sobre o rosto.
— Vamos, Segundo Irmão. Logo vai escurecer.
Ding Songyan assentiu de leve e seguiu Ding Qingyan pela estrada de terra batida, sob um dossel de sombras densas, rumo às muralhas da cidade não muito distante.
De vez em quando, um cavalo passava galopando por eles, a maioria carregando cavaleiros com lâminas na cintura ou espadas às costas.
Entre a carruagem-milhafre de madeira e tudo que estou vendo agora, O Show de Truman pode ser descartado por enquanto… Este mundo também não parece exatamente um cenário antigo comum…
Ding Songyan guardou seus pensamentos para si e observou tudo em silêncio, absorvendo o que via ao redor — incluindo sua recém-adquirida irmã mais nova, Ding Qingyan.
A garota não era baixa. Devia ter entre um metro e sessenta e dois e um metro e sessenta e oito. Ele não tinha fita métrica nos olhos, então não podia ser mais preciso.
Ela andava com um leve balanço nos passos, mais infantil do que propriamente feminino, o que sugeria que ainda era muito querida em casa e não havia sido sobrecarregada cedo demais pelo peso da vida adulta.
Os dois contornaram uma curva densamente arborizada, e a visão se abriu diante dele.
Ao longe, um grande rio se estendia tão vasto que a outra margem era invisível. Ao longo dos canais tributários e antigos cursos d’água que o ladeavam, fileiras e mais fileiras de rodas-d’água se erguiam — cada uma com formato diferente, combinando madeira e ferro. Ao redor delas, inúmeros edifícios se agrupavam, com plumas de fumaça subindo de dentro e escalando o céu.
Daquele lado, Ding Songyan ouviu vagamente o som ritmado de metal batendo contra metal.
As construções densas cediam lugar a altas muralhas de pedra cinza-esbranquiçada, como se estivessem reunidas em oferenda ao redor de uma torre de madeira e pedra erguida no coração da cidade, talvez com trinta ou quarenta metros de altura.
O sol descia devagar em direção à superfície do rio.
Na onda abafada do calor de verão, homens e mulheres com roupas curtas de trabalho em tecido marrom, mangas enroladas até os cotovelos e músculos bronzeados brilhando de suor, saíam do que pareciam ser oficinas e seguiam em fluxo constante rumo aos portões da cidade.
Dois grupos montavam guarda no portão.
Um usava jaquetas de combate vermelhas, com detalhes em verde, amarelo, branco e preto, armados com lâminas na cintura e lanças compridas.
O outro, formado tanto por homens quanto por mulheres, vestia roupas pretas ajustadas. Nos punhos esquerdos, havia bordados de pontos dispersos de luz estelar; nos direitos, chamas trêmulas de vela. Suas principais armas eram espadas longas.
Eles estavam posicionados em lados opostos do portão. Nenhum dos grupos importunava quem entrava na cidade. Mantinham a ordem com eficiência experiente e, de vez em quando, interrogavam aqueles cujos movimentos pareciam suspeitos.
Ding Songyan e Ding Qingyan passaram pelo portão sem incidentes e atravessaram a barbacã.
O ruído se intensificou de imediato.
As cores se multiplicaram.
Ding Songyan observou a multidão de relance. Alguns vestiam mantos de bainha reta. Outros, jaquetas superiores combinadas com saias longas. Alguns estavam cobertos da cabeça aos pés como Ding Qingyan. Outros usavam a frente da jaqueta aberta, deixando à mostra a parte superior do dudou, o corpete tradicional, como se fosse apenas parte comum do traje. Havia ainda mulheres em estilo de cintura alta, com uma grande extensão branca à mostra no peito.
Entre os homens, não era diferente. Alguns usavam mantos de mangas largas. Outros, jaquetas de estudioso com gola verde. Alguns trajavam robes escuros de corte reto. Outros vestiam longos mantos de gola redonda.
Ding Songyan sabia pouco sobre hanfu, mas assistira a dramas de época decentes o bastante para reconhecer que as pessoas ali pareciam ter reunido modas de todas as dinastias em um único lugar. Uma mistura como aquelas antigas cidades turísticas que costumava visitar, cheias de gente de todos os cantos usando todo tipo de traje histórico para tirar fotos.
E, além de Ding Qingyan ao seu lado, nenhuma mulher usava véu.
Elas mostravam o rosto abertamente, sem a menor hesitação.
Ding Songyan não pôde deixar de lançar um olhar para Ding Qingyan.
Bonita demais, talvez? Com medo de atrair o olhar de algum canalha e arrumar problema?
Não era uma precaução absurda.
Em uma era como aquela, sem meios eficientes de manter tudo sob controle, uma beleza devastadora era mais maldição do que bênção para alguém sem fortes conexões familiares por trás.
Por outro lado, sua irmã mais nova ainda era jovem, ainda estava crescendo. Caso contrário, como os romances e dramas sempre diziam, os pretendentes já teriam desgastado a soleira da porta.
De repente, a torre de madeira e pedra no centro da cidade soou com três batidas profundas de tambor.
Boom. Boom. Boom.
O que é isso?
Ding Songyan se virou na direção do som.
Antes que um único fôlego se passasse, um rastro de fogo disparou do topo da torre.
Moveu-se como uma serpente, feroz e veloz. Em um instante, mergulhou em alguma parte da cidade abaixo, deixando para trás apenas fagulhas brilhantes suspensas no ar. Seu impulso era assombroso.
Então Ding Songyan notou um esquadrão de pessoas em roupas vermelhas com padrões negros, que patrulhavam a rua e lembravam muito oficiais de polícia.
Eles giraram bruscamente e atravessaram a multidão com a velocidade de cavalos e a fluidez de peixes, seguindo para o lugar onde o fogo havia caído.
O fluxo de pessoas parou por alguns instantes, avaliou a situação e então voltou a fluir como antes.
Ao ver Ding Songyan parado no lugar, Ding Qingyan inflou as bochechas, sua expressão um tanto desanimada.
— Esse é o Tio Yi e suas Nove Flechas Abate-Sóis.
Ding Songyan não fez esforço algum para esconder a perplexidade. Encarou diretamente a irmã de chapéu velado.
— Haa…
Ding Qingyan suspirou.
— Tio Yi é o marechal do Condado de Linjiang, aqui na Prefeitura de Dingjiang. Dizem que suas artes marciais descendem do grande arqueiro Yi, que abateu os nove sóis. Por isso, todo o clã dele usa Yi como sobrenome. Hoje é ele quem está de vigia na torre.
— Torre de vigia… — repetiu Ding Songyan.
Ding Qingyan ergueu o braço e apontou para a torre de madeira e pedra.
— Ali. Aquela é a torre de vigia. Toda cidade tem, mais de uma. E também existem torres menores ao longo das muralhas, embora nenhuma seja tão alta quanto essa.
— Todos os dias, a repartição do condado, a prefeitura e a Seita da Noite Clara se revezam para posicionar especialistas com habilidades de visão à distância no alto das torres de vigia. Eles vigiam atos de violência marcial dentro das muralhas e ameaças que se aproximem de fora.
Uma rede de vigilância humana… não, uma rede marcial… Aquela flecha agora pareceu extraordinária, claramente além dos limites de qualquer pessoa comum… E aquilo era apenas um marechal de condado…
Ding Songyan escutou em silêncio, profundamente espantado. Anterior Próximo 🛒
Vai comprar algo no Mercado Livre?
Apoie a Central Novel usando nosso link de afiliados — o preço não muda pra você!! 💙
Faça uma Doação e ajude a manter o site ativo!
Conheça nossa Assinatura VIP e seus benefícios!!
## Comentários
(link externo)
4.8 8 votosAvalie!
Conectar comDEu permito criar uma contaQuando você faz login pela primeira vez usando um botão de Login Social, coletamos informações públicas do seu perfil da conta compartilhadas pelo provedor de Login Social, com base nas suas configurações de privacidade. Também obtemos seu endereço de e-mail para criar automaticamente uma conta para você em nosso site. Uma vez que sua conta é criada, você será conectado automaticamente a essa conta.DiscordoConcordoNotificar de Novas respostas aos meus comentários
Label
Nome*
Email*
Conectar comDEu permito criar uma contaQuando você faz login pela primeira vez usando um botão de Login Social, coletamos informações públicas do seu perfil da conta compartilhadas pelo provedor de Login Social, com base nas suas configurações de privacidade. Também obtemos seu endereço de e-mail para criar automaticamente uma conta para você em nosso site. Uma vez que sua conta é criada, você será conectado automaticamente a essa conta.DiscordoConcordo
Label
Nome*
Email*
Mais recente
Mais Antigo Mais votado Inline FeedbacksVer todos os comentários

Comentários (0)
Faça login pra comentar
EntrarNenhum comentário ainda. Seja o primeiro!