Cap. 3 A Família Ding maio 30, 2026
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Meta 06/2026 (39,00%)Postado por miggigibe, ? Visualizações, Lançado em maio 30, 2026 Anterior ÍndicePróximo PDF
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Tradutor/Revisor: miggigibe
Ding Qingyan não seguiu pela rua movimentada. Agarrou a manga de Ding Songyan e o puxou para uma viela lateral.
Da direção oposta, surgiu um grupo de homens e mulheres vestidos com roupas pretas ajustadas, pontos de luz prateada bordados nos punhos esquerdos e chamas alaranjadas nos direitos. Eles passaram rapidamente pelos dois e desapareceram, deixando o ar ondulando de leve, como a superfície de água perturbada.
Ao ver Ding Songyan acompanhar com os olhos as costas do grupo que se afastava, Ding Qingyan apertou os lábios.
— Seita da Noite Clara. Provavelmente estão indo para o local onde acabou de acontecer aquele incidente marcial.
— As seitas também cuidam desse tipo de coisa? — perguntou Ding Songyan, pensativo.
Ding Qingyan riu baixinho.
— Sim. É assim desde a Dinastia Youqiong. O imperador fundador desta dinastia firmou um Pacto do Pergaminho de Jade com todas as grandes seitas. Segundo esse acordo, as grandes seitas ortodoxas e os clãs nobres podem “reduzir impostos sobre grãos, supervisionar prisões e auxiliar nas patrulhas urbanas”. A Prefeitura de Dingjiang e os três condados ao norte ficam sob a jurisdição da Seita da Noite Clara. Segundo Irmão, foi você quem me contou tudo isso, depois das suas aulas de narração…
Enquanto falava, Ding Qingyan pareceu se lembrar da condição atual do irmão. Sua voz foi baixando até se calar.
— Narração? Você aprende esse tipo de coisa em aulas de narração? — Ding Songyan não esperava que sua profissão atual fosse a de contador de histórias.
Droga. Não lembro de uma única habilidade profissional. Não é como se eu pudesse fazer uma apresentação de PowerPoint para o público, certo?
Ding Qingyan assentiu de leve e continuou andando.
— Existem quatro escolas de narração. Relatos históricos, que tratam da história antiga. Depois vêm as histórias do jianghu, as lendas e sagas, e os casos criminais de tribunal. Antes de vir para Dingjiang, você estava estudando relatos históricos.
— Entendo… — murmurou Ding Songyan, ponderando aquilo.
Ding Qingyan lançou-lhe um olhar de lado.
— Segundo Irmão, não poderíamos nos dar ao luxo de provocar nenhum daqueles artistas marciais de agora há pouco. Dito isso, eles não são do tipo realmente assustador. Os verdadeiramente assustadores, você reconhece de relance.
— Reconhece de relance? Eles têm “sou um mestre” escrito no rosto? — Ding Songyan manteve o tom leve, conduzindo-a a revelar mais informações.
Ding Qingyan torceu os lábios.
— Claro que não. Vá ouvir os contadores de histórias do lado de fora do Templo Dangkang algum dia e descubra por si mesmo.
— Bem, a maioria das artes marciais remonta aos seres divinos e criaturas estranhas de antes de o Imperador Zhuanxu cortar a ligação entre o céu e a terra. Quando alguém cultiva essas artes até certo nível, o corpo começa a mudar. As orelhas de algumas pessoas ficam como as de um tigre. Outras ganham algumas penas douradas. Algumas ficam com a pele inteiramente azul. Outras desenvolvem dois pares de chifres de boi. Algumas até fazem crescer uma cauda de raposa. Segundo Irmão, se você vir alguém assim, ou é de outra raça, ou é um mestre!
Imperador Zhuanxu… Este mundo também tem o Imperador Zhuanxu?
Ding Songyan deixou essa questão de lado por enquanto.
— Que tipo de alteração anormal aparece quando alguém cultiva as artes da Seita da Noite Clara até um nível profundo?
Se surgisse uma oportunidade, era sempre sensato reconhecer os poderes locais antes de tropeçar neles sem querer.
Ding Qingyan pensou com cuidado.
— Acho que não há nenhuma anormalidade especialmente chamativa… Dizem que as artes deles descendem de duas deusas, Noite Clara e Luz de Vela, filhas do Imperador Shun. Por isso, eles não parecem diferentes de pessoas comuns. Ah, pupilas duplas! Pai mencionou uma vez que encontrou um mestre da Seita da Noite Clara com pupilas duplas. Além disso, não sei.
Imperador Shun?
Ding Songyan ficou em silêncio outra vez.
Não demorou para que os irmãos entrassem em uma travessa onde fios de fumaça de cozinha subiam pelo ar.
— Ding Songyan, você voltou?
— Onde diabos você estava? Seu pai e sua mãe procuraram por você em toda parte.
— Fugiu com alguma moça?
Os vizinhos reunidos junto ao poço na entrada da travessa chamaram por eles. Alguns demonstravam preocupação sincera; outros, uma provocação bem-humorada.
Ding Qingyan respondeu de modo vago, puxou Ding Songyan consigo e atravessou depressa a multidão até uma casa no fim da viela.
Ela tirou da cintura uma chave cor de bronze, abriu o cadeado e empurrou para dentro as duas portas de madeira.
Assim que o irmão entrou, ela puxou as portas quase até fechá-las, deu tapinhas no próprio peito e soltou um suspiro.
Ding Songyan aproveitou a chance para observar ao redor.
Era um pátio modesto. À esquerda, havia um olmo, com várias cordas estendidas entre ele e um poste de madeira ao lado do tonel de água, onde roupas secavam penduradas. À direita, um abrigo rústico de madeira protegia uma pilha de carvão e lenha atrás de degraus de pedra manchados.
À frente ficava a construção principal, com um cômodo lateral de cada lado. A sala central guardava vários objetos domésticos. Sobre a mesa quadrada havia quatro pratos e um balde de madeira com arroz, cobertos por uma proteção de gaze grosseira com padrão xadrez verde.
Ding Songyan foi até a entrada da sala principal e deixou o olhar pousar em um espelho de bronze colocado sobre uma caixa de armazenamento, polido até brilhar.
Finalmente viu a si mesmo.
Uma túnica de estudioso branca como a luz da lua. Nenhum barrete formal, nenhum lenço de cabeça, apenas uma tira de tecido azul prendendo seus cabelos para trás. Não era de uma beleza marcante, nem tinha uma elegância particularmente distinta, mas ainda assim parecia um estudioso de rosto limpo e feições agradáveis.
Eu sabia. Com uma irmã como Ding Qingyan, este corpo não poderia ser feio…
Ding Songyan soltou um suspiro silencioso.
Bem, se é para transmigrar, pelo menos é bom ter um rosto decente, certo?
Ding Qingyan havia tirado o chapéu com véu e se aproximado da mesa quadrada. Sentou-se em um banquinho redondo, apoiou o queixo em uma das mãos e fixou os olhos escuros em Ding Songyan com atenção silenciosa.
Sentindo o peso daquele olhar, Ding Songyan se mexeu um pouco e tentou encontrar algo para dizer.
— Pai se chama Ding Shengyi — disse Ding Qingyan primeiro. — Mãe se chama Liu Yuzao. Nosso irmão mais velho é Ding Niu. Não se esqueça deles. Eles ficariam tristes.
Ding Niu? Esse estilo de nome não combina muito com os outros quatro…
Ding Songyan perguntou, confuso:
— Irmãzinha, o que você quer dizer?
Ding Qingyan soltou um suspiro lento.
— Quero dizer que, mesmo tendo esquecido tudo, você ainda se lembra dos nomes deles. Isso serviria de consolo para eles.
Ding Songyan ficou em silêncio.
As pessoas do meu antigo mundo vão chorar por mim?
No silêncio, a porta entreaberta do pátio foi empurrada. Uma mulher e um homem entraram um após o outro.
A mulher estava vestida como uma senhora casada da casa. Suas feições eram refinadas, e seu porte carregava uma frieza discreta por trás da compostura. Não parecia ter mais de trinta e quatro ou trinta e cinco anos. Vestia uma jaqueta verde de gola redonda e transpassada, com um padrão sutil, uma saia plissada azul-acinzentada por baixo, e carregava na mão um chapéu com véu de gaze preta.
O homem estava na casa dos quarenta, usando um barrete de quatro cantos e uma túnica reta cinza. Tinha traços regulares e uma postura um tanto branda e reservada.
— Mãe, pai, o Segundo Irmão esqueceu tudo! — Ding Qingyan se pôs de pé de imediato e correu para o pátio.
Irmãzinha, o que você estava dizendo agora há pouco? Eu gostaria de ouvir aquela parte sobre “consolo” outra vez.
Ding Songyan não conseguiu evitar o pensamento.
— Mas ele ainda se lembra dos nomes de vocês! — acrescentou Ding Qingyan.
A expressão de Liu Yuzao congelou. Ela se aproximou de Ding Songyan em poucos passos e verificou a marca de nascença escura atrás da orelha direita dele.
Só então ergueu a mão e tocou sua cabeça.
— Dói?
— Não — respondeu Ding Songyan com honestidade.
Pela idade aproximada daquele corpo e pelo fato de haver um irmão mais velho, ele deduziu que Liu Yuzao já devia estar no início dos quarenta. Ainda assim, ela havia sido agraciada com boa aparência e parecia quatro ou cinco anos mais jovem.
Liu Yuzao franziu ligeiramente a testa.
— Então como ele pode ter esquecido tudo?
— Será que é Doença de Separação da Alma? — Ding Shengyi começou seu próprio exame.
Ding Songyan refletiu por um instante.
— Pai, mãe, o que aconteceu comigo antes disso?
Ding Shengyi deu uma volta lenta ao redor de Ding Songyan, observando-o enquanto falava.
— Há mais de meio ano, viemos para a Prefeitura de Dingjiang para ficar com a família da sua tia materna. Sua prima Nuansheng usou as conexões da família Zhen para me conseguir um cargo de escrevente na repartição do condado. Ela também intercedeu junto ao chefe da guilda local de contadores de histórias para que você pudesse montar seu ponto e narrar histórias do lado de fora do Templo Dangkang.
Quando Ding Shengyi terminou, Liu Yuzao se voltou para Ding Qingyan.
— Onde você o encontrou?
— No templo em ruínas, na estrada para os cemitérios…
Ding Qingyan contou tudo em detalhes.
Saiu sozinho… Isso não parece uma tentativa de suicídio. Se ele quisesse morrer, a margem do rio ficava muito mais perto e seria mais conveniente… E, quando acordei, não havia corda pendurada nas vigas, nem frasco de remédio por perto… Então por que ele foi da cidade até aquele templo em ruínas? Espere. Será que ele saiu direto do ponto de narração? Então por que não havia uma única moeda com ele? Não é possível que tenha passado o dia inteiro sem ganhar nada. Ele parou em algum lugar no caminho, ou alguém pegou o dinheiro depois?
Quanto mais Ding Songyan pensava, mais estranho aquilo parecia.
Escolheu as palavras com cuidado.
— Pai, mãe, é possível que alguém tenha tentado me fazer mal?
Ele suspeitava que Ding Songyan tivesse se envolvido em alguma coisa; que a ida ao templo em ruínas fora da cidade fizesse parte disso; e que quem quer que estivesse envolvido o matara e levara seu dinheiro no processo.
— Mal chegamos a Dingjiang. Como poderíamos ter feito inimigos… — Ding Shengyi, com o ar de um estudioso de meia-idade, franziu a testa em pensamento.
A expressão composta de Liu Yuzao mudou de repente.
— Songyan, vamos à residência dos Zhen procurar sua prima Nuansheng.
— Se alguém realmente quis lhe fazer mal e descobrir que você sobreviveu, dificilmente deixará o assunto terminar assim!
Ela tem razão. Ainda pode haver um perigo considerável à espreita…
Era uma questão de vida ou morte, e Ding Songyan não ousou tratar aquilo com descuido. Concordou de imediato.
— Um momento.
Ding Shengyi entrou rapidamente na sala principal e seguiu para o cômodo leste.
Pouco depois, voltou carregando uma bolsa de moedas bordada e gasta. Entregou-a a Liu Yuzao e tocou a lateral da própria cabeça, com expressão séria.
— A residência dos Zhen não mantém apenas mestres marciais como retentores, mas também um médico renomado. Se a Doença de Separação da Alma de Songyan puder ser tratada, não economize dinheiro.
— Pai, eu também guardei um pouco! — Ding Qingyan se virou, pronta para correr de volta ao quarto.
— Espere e ouça primeiro o que o médico dirá — Liu Yuzao a deteve.
Bang.
A porta do pátio foi empurrada com força. Uma voz veio em seguida, como trovão rolando.
— Mãe, Songyan está bem?
A figura que irrompeu no pátio tinha bem mais de dois metros de altura. Vestia uma jaqueta curta cinza de pano grosseiro, os cabelos envoltos por tecido azul-escuro como os de Ding Songyan, olhos arregalados como sinos de bronze, o rosto coberto de barba por fazer e o queixo projetado para a frente. Parecia feio e feroz.
Mãe? Este guerreiro imponente é meu irmão mais velho?
O olhar de Ding Songyan se moveu entre Ding Niu, Liu Yuzao, Ding Shengyi e Ding Qingyan.
Ele conseguia ver a si mesmo como uma mistura dos traços do pai e da mãe, equilibrados e combinados. Ding Qingyan claramente havia herdado apenas o melhor de ambos, com os céus acrescentando ainda uma dose extra de favoritismo. Mas, nos quatro casos, havia alguma semelhança familiar.
Ding Niu, por outro lado, não tinha nenhuma ligação visível com aquela família. Parecia um touro preto perdido em meio a um rebanho de ovelhas, estranho à primeira vista.
Somado ao nome que jamais combinara com os outros, Ding Songyan não conseguiu evitar a suspeita de que ele talvez tivesse sido pescado do rio quando bebê.
Liu Yuzao lançou um olhar para Ding Niu e disse friamente:
— Você voltou tão tarde que, mesmo se algo tivesse acontecido com Songyan, não estaria aqui para ajudar.
Ding Niu se endireitou num estalo, deixando os braços caírem ao lado do corpo, encolhendo-se.
— Meu passo é largo, então procurei bem longe…
Liu Yuzao desviou o olhar, o rosto ainda frio.
— Pegue algo para se defender e acompanhe Songyan e a mim até a residência dos Zhen.
— Sim, mãe!
Ding Niu se animou imediatamente. Revirou a pilha de lenha e tirou dela uma barra de ferro grossa como o braço de um homem.
A superfície era áspera e irregular, cheia de marcas e saliências, como se tivesse sido fundida a partir de sucata. Parecia extraordinariamente pesada. Na mão de Ding Niu, porém, era como um brinquedo de criança.
Força divina de nascença?
Ding Songyan se sentiu consideravelmente mais tranquilo.
Então seguiu Liu Yuzao para fora do pátio. Anterior Próximo 🛒
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