Cap. 10 Nunca Julgue pelas Aparências junho 2, 2026
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Meta 06/2026 (39,00%)Postado por miggigibe, ? Visualizações, Lançado em junho 2, 2026 Anterior ÍndicePróximo PDF
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Tradutor/Revisor: miggigibe
O sol de verão ardia em meio às poucas nuvens ralas.
Ding Songyan estava parado na viela estreita, mal larga o bastante para dois homens lado a lado, fingindo aproveitar a corrente de ar que passava por ali.
Ele havia até considerado chamar diretamente o Mestre de Salão Chen, que talvez estivesse observando ou escutando por perto. Algo simples como “Mestre de Salão Chen, por favor, apareça!” lhe passara pela cabeça.
Mas, depois de ponderar várias vezes, desistiu.
Se Chen Yuliang realmente estivesse por perto, isso seria o mesmo que tirá-lo da toca e forçá-lo a aparecer. A situação ficaria complicada. Não havia como saber se isso o empurraria ao desespero. As torres de vigia serviam para intimidar homens que ainda queriam uma rota de fuga. Não assustavam alguém que já tivesse decidido morrer tentando. Se as coisas chegassem a esse ponto, Ding Songyan teria de depender inteiramente da proteção de Mestre Yu no curto prazo. E proteger uma pessoa contra um homem sem nada a perder era muito mais difícil do que simplesmente matar alguém.
Agora que tinha uma noção aproximada da situação e uma esperança real de resolver a crise, Ding Songyan não estava disposto a apostar a própria vida.
Por isso, apenas perguntou em tom casual onde o Mestre de Salão Chen poderia estar naquele momento.
Era um sinal para Mestre Yu, escondido em algum lugar próximo: Chen Yuliang podia estar por perto.
Ele não sabia se Mestre Yu pensaria nisso por conta própria. Como não tinha certeza, precisava partir do princípio de que não.
O homem de nariz manchado ficou confuso com a pergunta.
— Na sede da nossa Gangue da Pequena Barca, é claro.
Ding Songyan tentou outro ângulo.
— Que arte marcial o Mestre de Salão Chen pratica?
Isso também era uma pergunta feita em benefício de Mestre Yu. Como membro de uma gangue rival, Mestre Yu provavelmente já sabia. Ainda assim, por segurança, Ding Songyan perguntou.
— Todo mundo sabe disso. Por que está perguntando? A Arte da Tartaruga Negra! — O homem de nariz manchado ainda não conseguia entender o que Ding Songyan queria.
Ding Songyan continuou pressionando.
— O Mestre de Salão Chen é bom em enxergar ou ouvir a grandes distâncias?
O homem de nariz manchado piscou.
— O Mestre de Salão Chen consegue ouvir sons fracos a cerca de sessenta metros de distância…
Enquanto dizia isso, ele também pareceu perceber algo.
O Mestre de Salão Chen pode estar bem aqui!
Quase ao mesmo tempo, Ding Songyan ouviu um movimento discreto vindo da entrada da viela atrás dele, como se algo tivesse passado de raspão.
Então Mestre Yu apareceu vindo de algum lugar, com seu gorro preto e suas roupas curtas escuras. Sua figura tremeluziu como um fantasma.
Rápido demais…
O pensamento mal havia se formado quando o homem de nariz manchado reagiu de súbito. Sem sequer virar o corpo por completo, já corria na direção da outra extremidade da viela.
Maldito Ding Songyan! Você preparou uma emboscada!
Ding Songyan ainda tinha perguntas a fazer. Ao ver que o homem de nariz manchado não demonstrava sinal de habilidade marcial enquanto fugia, jogou fora o palito do espeto de espinheiro cristalizado e saiu em perseguição.
Esse tipo de perseguição, sem envolver violência marcial, não chamaria a atenção das torres de vigia. Só chamaria se causasse tumulto ou arrastasse outras pessoas para a confusão.
Os passos do homem de nariz manchado martelavam o chão enquanto ele chegava à saída da viela, prestes a virar em outra direção ao redor de uma árvore grande, com folhagem densa e copa espalhada.
De repente, um par de mãos escuras e bronzeadas disparou de trás da árvore, agarrou os ombros do homem de nariz manchado com precisão e o puxou para o ponto cego formado pela parede da viela e pela copa espessa.
Ding Songyan, ainda dentro da viela, não havia percebido ninguém escondido atrás daquela árvore.
Num piscar de olhos, antes que pudesse parar, e já bem perto, ouviu um impacto surdo e pesado. Em seguida, veio o som de ossos se quebrando.
Ele finalmente freou e se virou de imediato, tentando colocar distância entre si e a árvore.
Homem prudente não fica parado sob uma parede prestes a ruir!
— Songyan! Songyan, sou eu! — Uma voz familiar veio do ponto cego atrás da árvore.
Irmão Mais Velho?
Ding Songyan encarou a direção da voz. Viu o rosto de Ding Niu aparecer por um instante, apenas o bastante para lhe dar um rápido aceno antes de se recolher outra vez.
Aqueles olhos redondos como sinos estavam atravessados por veias vermelhas. A barba espessa e a pele do rosto estavam salpicadas de gotas de sangue.
Ding Songyan franziu a testa, pensou por um momento e então assumiu a expressão de alguém com uma necessidade urgente de se aliviar. Em poucos passos, moveu-se para uma posição ao lado da árvore, de onde conseguia ver o ponto cego.
Ele ficou de frente para a parede da viela, com as mãos na cintura, e olhou pelo canto dos olhos. O homem de nariz manchado estava caído ali. Seu rosto parecia ter sido atingido por uma marreta, completamente afundado. O sangue que jorrara da ferida havia respingado no próprio corpo e no rosto de Ding Niu. Ele já não respirava.
Ding Niu limpou no traje do morto o punho ainda salpicado de fragmentos de osso e carne. Então virou a cabeça, coçou-a com a mão livre e disse a Ding Songyan, um pouco envergonhado:
— Songyan, eu menti para você esta manhã. Mãe disse que Mestre Yu é só um homem e talvez não fosse suficiente para manter você seguro. Ela me mandou não ir às docas hoje. Mandou que eu seguisse você em segredo.
Ding Songyan assentiu sem expressão, apontando para o homem de nariz manchado.
— Morto?
— Um soco e ele morreu. — Ding Niu assentiu com seriedade. Aqueles olhos redondos como sinos não mostravam o menor traço de medo ou pânico. Ele estava tão calmo quanto se estivesse contando ao irmão mais novo que pagaria uma refeição nas docas.
O primeiro impulso de Ding Songyan foi chamar a polícia. Não, denunciar às autoridades. Mas sua mente ficou em branco.
Meu próprio irmão acabou de matar alguém?
Eu só queria pegá-lo. Queria perguntar mais detalhes sobre a transação do Clássico Secreto das Montanhas e Mares…
Tudo bem, isso significa uma testemunha hostil a menos, e o homem morto era membro de uma gangue. Mas eu sempre fui um cidadão cumpridor da lei!
Ao ver a expressão perfeitamente tranquila de Ding Niu, um pensamento lhe ocorreu.
— Ding Niu, esta não é a primeira vez que você mata alguém, é?
Ding Niu pensou com cuidado por algum tempo.
— Na estrada para a Prefeitura de Dingjiang. Matei alguns.
As costas de Ding Songyan ficaram rígidas, embora uma parte dele achasse aquilo natural.
Mais cedo, quando dissera a Xu Chang’an que a garota de vestido branco conseguira viajar até a Prefeitura de Dingjiang sem se esconder, sem cobrir o rosto e ainda trazendo aquela aparência inocente e ingênua, ela devia vir de uma família extraordinariamente rica ou possuir habilidade marcial formidável. Naquele momento, ele fizera um paralelo com a própria família.
Qingyan não era menos bela que a garota de branco. A mãe deles também era uma mulher marcante. É verdade que, sempre que saíam, as duas usavam chapéus com véu e se cobriam bem. Na viagem até a Prefeitura de Dingjiang, certamente também haviam pagado para seguir com uma grande caravana mercante ou frota de transporte por segurança. Mas, em uma estrada longa, o inesperado nunca estava longe. Uma família de cinco pessoas sem proteção especial muito bem poderia atrair a atenção errada.
Ding Songyan havia presumido que eles tinham tido sorte, ou encontrado uma caravana especialmente confiável. Agora via que não era nada disso. Sua família tinha seu próprio protetor “poderoso”. Qualquer predador que escapasse da rede havia sido eliminado por seu irmão mais velho.
— Ding Niu, que arte marcial você aprendeu? — perguntou Ding Songyan, quase por hábito.
Ding Niu voltou o olhar para o cadáver de rosto afundado. Sua voz saiu como um ronco baixo.
— Nasci com força divina.
Enquanto falava, ergueu a mão esquerda e limpou as gotas de sangue do rosto e da barba. Então levou os dedos à boca e começou, devagar, a lambê-los até ficarem limpos.
— …
Ding Songyan o encarou, boquiaberto.
Ding Niu passou a mão pelo rosto arruinado do homem de nariz manchado. Os cantos de sua boca se abriram em um sorriso, e ele revelou ao irmão:
— Songyan. Eu gosto muito de matar pessoas.
Todos os pelos do corpo de Ding Songyan se arrepiaram. Um frio se infiltrou por dentro dele.
Ding Niu estalou os lábios, parecendo genuinamente arrependido.
— Mas mãe não deixa.
Antes que Ding Songyan pudesse responder, o homem agachado diante do cadáver virou a cabeça, com uma expressão ansiosa para agradar.
— Songyan, mãe não deve me repreender nem me castigar por causa disso, certo? Hoje eu estava protegendo você.
O canto da boca de Ding Songyan se contraiu. Pelo bem da própria segurança, ele ofereceu uma garantia vaga.
— Provavelmente não…
Na noite anterior, depois de descobrir a verdade sobre a origem do irmão, ele havia observado a atitude da mãe deles, Liu Yuzao, em relação a Ding Niu e sentido, sem saber por quê, que aquilo era como um cão grande sendo desprezado.
Agora, só queria dar um tapa em si mesmo.
Aquilo não era um cão grande coisa nenhuma. Era um tigre feroz, contido apenas pelas correntes do afeto familiar!
Fora do Templo Dangkang.
Mestre Yu cortava a multidão com uma agilidade quase simiesca, perseguindo Chen Yuliang à frente. A cada passo, uma rajada de vento parecia passar e carregá-lo para uma nova posição, como se ele se deslocasse de um ponto a outro num piscar de olhos.
Em certo momento, uma sensação sutil de formigamento se espalhou por seu corpo. Ele entendeu: uma das sentinelas da torre de vigia havia mirado nele.
Como ainda não havia cruzado a linha da violência marcial, Mestre Yu não reduziu a velocidade. A distância entre ele e Chen Yuliang diminuía sem parar.
Se não fosse pela multidão densa daquele mercado movimentado, ele, alguém cuja arte marcial trazia “vento” no nome, já o teria alcançado havia muito tempo.
Depois de passar pelo Templo Dangkang, Chen Yuliang entrou de repente em um salão marcial, atravessou um corredor coberto, contornou o pátio e o campo de treino e, com evidente familiaridade, chegou a uma pequena construção vazia nos fundos.
Chen Yuliang parou. Virou-se para encarar a entrada.
Ele estava na casa dos trinta, tinha pele escura, a boca ligeiramente projetada e usava roupas parecidas com o traje justo de um barqueiro.
Observou Mestre Yu diminuir o passo, aproximando-se um passo deliberado de cada vez, e estalou o pescoço com um sorriso.
— Então o Clássico Secreto das Montanhas e Mares era uma armadilha preparada para a nossa Gangue da Pequena Barca.
— Mestre Yu, não é? Você serve ao Patriarca Zhen há dez anos e nunca lutou com força total. Nem sequer está listado no Ranking das Orquídeas. Faz tempo que quero testá-lo. Você também está no grau Discernimento Profundo, ou em algo acima?
A expressão de Mestre Yu era fria e morta. Ele não disse nada.
Deu um passo à frente.
O vento explodiu.
Em um instante, ele já havia encurtado a distância para menos de três metros de Chen Yuliang, e sua palma já cortava o ar.
Chen Yuliang mal erguera as mãos para bloquear quando o calcanhar de Mestre Yu pisou e girou, torcendo o avanço em uma mudança impossível de direção. Ele deslizou como um fantasma para as costas do homem. Sua palma esquerda veio em seguida, descendo em um golpe diagonal.
— Hmph!
Chen Yuliang não demonstrou alarme. Deu um passo de lado e recebeu o golpe no ombro.
Um impacto surdo. A mão de Mestre Yu atingiu algo parecido com couro grosso e sem vida.
Naqueles olhos um tanto apagados, ele viu: a pele exposta do inimigo parecia engrossar em um instante, marcada por linhas como rachaduras em um casco de tartaruga.
Tum, tum, tum!
No espaço limitado da pequena construção, Mestre Yu se movia quase sem restrição. A parte inferior de seu corpo flutuava como lentilha-d’água, balançando e girando no vento, mudando de posição sem parar. O movimento impulsionava a parte superior, que atacava de todos os ângulos. Palmas e punhos procuravam qualquer possível brecha na defesa de Chen Yuliang.
Chen Yuliang não conseguia igualar a velocidade de Mestre Yu. Só podia firmar os pés no lugar e resistir.
Em meio à percussão acelerada dos golpes, Mestre Yu deslizou para uma nova posição. Sua palma esquerda disparou antes da guarda de Chen Yuliang e cortou em direção ao pescoço do homem.
O pescoço de Chen Yuliang cedeu de repente, como se camadas de couro se abrissem. Elas engoliram a mão esquerda de Mestre Yu e a prenderam ali. O impulso dele morreu.
Um sorriso cruel se espalhou pela boca de Chen Yuliang. Aproveitando a abertura, ele cerrou o punho direito, torceu o corpo pela metade e o lançou contra o rosto de Mestre Yu.
A expressão de Mestre Yu não mudou. Sua mão direita avançou de repente em forma de garra.
Com esse movimento, o ar diante dele se solidificou em vento materializado. Rajada após rajada, o vento rasgou o rosto de Chen Yuliang enquanto ele se virava, como extensões dos próprios dedos de Mestre Yu. O alvo eram os olhos.
Sangue espirrou na mesma hora. A boca de Chen Yuliang se abriu em um grito.
O vento uivante que avançou em seguida empurrou o som de volta pela garganta dele.
Sua visão mergulhara na escuridão absoluta. Uma única expressão acendeu em sua mente:
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