Cap. 7 A Isca se Mexe maio 31, 2026
Ajude a bater a meta mensal de DOAÇÃO e vamos manter o site livre de anúncios!!
Meta 06/2026 (39,00%)Postado por miggigibe, ? Visualizações, Lançado em maio 31, 2026 Anterior ÍndicePróximo PDF
Telegram
Tradutor/Revisor: miggigibe
Ding Songyan mal havia dado um passo quando seus olhos, sempre varrendo os arredores por hábito, captaram um rosto de expressão desprotegida.
O rosto pertencia a um homem na casa dos trinta, usando um lenço de pano na cabeça. A barba estava raspada rente, e a ponta do nariz era ligeiramente avermelhada, manchada, com aquele aspecto típico de quem bebia pesado.
Ele encarava Ding Songyan como se encarasse um monstro que não tinha motivo algum para estar ali. A surpresa e o medo em seu rosto eram claros o suficiente para qualquer um ver.
No instante em que seus olhares se encontraram, o homem girou nos calcanhares e abriu caminho à força pela multidão do mercado. Em um piscar de olhos, desapareceu, engolido sem deixar rastro.
O primeiro impulso de Ding Songyan foi persegui-lo e agarrá-lo. Mas, sem artes marciais dignas de menção, suas reações foram lentas por uma fração. Quando pensou em se mover, já não havia ninguém para encontrar.
Encontrar um homem que ele sabia estar morto andando tranquilamente do lado de fora do Templo Dangkang foi suficiente para quebrar por completo a compostura dele. O plano está funcionando… Alguma coisa vai se mexer depois disso. Não preciso persegui-lo agora… Só espero que Mestre Yu estivesse preparado.
Ding Songyan encarou a direção por onde o homem de nariz manchado havia fugido e mergulhou em pensamentos.
— Irmão Ding, o que você está olhando? — perguntou Xu Chang’an, curioso.
Ding Songyan se recompôs. O tenente de cavalaria Wushou sem cabeça de antes já havia desaparecido há muito tempo.
— Parece que um batedor de carteiras foi pego — disse Ding Songyan, inventando na hora e mirando a frase diretamente em Xu Chang’an.
Roubo nunca terminava bem!
O primeiro celular que ele comprara com dinheiro juntado a duras penas havia sido levado por um batedor de carteiras. Aquilo arruinara vários meses de sua vida.
Xu Chang’an empalideceu. Ficou na ponta dos pés e esticou o pescoço várias vezes naquela direção.
— Não estou vendo nada. Onde? O que aconteceu?
— Já levaram ele embora — disse Ding Songyan, descartando o assunto.
Então se voltou para o ponto de outro contador de histórias, tranquilo por fora, mas por dentro tenso e vigilante.
Xu Chang’an o seguiu meio atordoado, com o olhar para possíveis alvos temporariamente desviado.
Pelo jeito, ainda não foi pego… Os que já passaram algumas vezes pelo yamen são veteranos. Não se assustam tão fácil.
Ding Songyan lançou um olhar de lado ao vizinho, depois se misturou à multidão. Escutava pela metade as lendas e sagas do contador de histórias, enquanto deixava o olhar vagar de modo casual pela cena.
Talvez porque as histórias do mundo marcial já parecessem lendas por si mesmas, os contadores de sagas e romances precisavam recorrer principalmente à mitologia e aos assuntos de gente comum. Estes últimos, por serem algo que os ouvintes quase podiam tocar com as próprias mãos, atraíam uma multidão considerável, apertada ao redor do ponto até quase não haver espaço para respirar.
Então Xu Chang’an cutucou o braço de Ding Songyan.
O peito de Ding Songyan se contraiu. Ele se virou.
A figura de aparência decente, mas olhos esquivos, apontava para um lado e falava em voz baixa.
— Irmão Ding. Olhe ali.
A multidão era densa demais para enxergar através dela. Ding Songyan recuou um ou dois passos e mudou de posição.
Não precisou que Xu Chang’an dissesse mais nada. Viu imediatamente a quem ele se referia.
Era uma garota de dezesseis ou dezessete anos, vestida com uma jaqueta branca simples de gola redonda e transpassada, combinada a uma saia de muitas pregas, branca com acabamento verde nas bordas. Seus cabelos estavam presos em dois laços pendentes que desciam além dos ombros, dando-lhe um toque de encanto juvenil.
Os cantos externos de seus olhos se erguiam levemente. O queixo afilava em uma ponta delicada, o nariz era pequeno e reto, com a ponta suave e arredondada, e a pele era pálida e lisa como creme. A maneira como ela olhava ao redor carregava tanto uma vivacidade graciosa quanto o primeiro desabrochar de uma beleza ainda não plenamente formada. Pureza e sedução coexistiam em seu rosto sem a menor contradição. O ornamento floral verde-jade no topo do grampo de prata em seus cabelos balançava de leve, ecoando os pingentes de jade em sua cintura, que se moviam a cada passo.
Ela apenas ficou ali parada, atraindo olhares de todas as direções.
Esses olhares pousavam nela, desviavam-se, e então voltavam a circular.
— É alguma coisa, não é, Irmão Ding? — murmurou Xu Chang’an, admirado. — Já é assim nessa idade. Dê mais alguns anos e ela vai ter o tipo de rosto que derruba reinos.
Então, ao notar o olhar de Ding Songyan, acrescentou depressa:
— Claro, ainda fica um pouco atrás da Irmã Qingyan. Só um pouco.
Heh. Pelo menos você sabe o que dizer. Ela realmente fica um pouco atrás. Em altura, especificamente… São estilos completamente diferentes. Nem dá para comparar direito. Uma é luminosa e delicada, a outra é pura e encantadora…
Ding Songyan ainda ponderava quando o contador de histórias terminou sua apresentação e começou a recolher gorjetas.
A garota tirou um lingote de prata e o lançou na bandeja de bambu. Pela aparência, era um tael inteiro.
— Céus, que generosidade! — O contador de histórias se iluminou na mesma hora, e os elogios começaram a sair em sequência.
A garota ergueu levemente o queixo, parecendo bastante satisfeita consigo mesma.
— Amanhã volto para ouvir mais.
Generosa com dinheiro, e nem um pouco cautelosa… Ainda é meio criança. Claramente não está no mundo há muito tempo…
Ding Songyan se pegou imaginando se haveria alguma maneira de aliviar a garota de um pouco de prata.
Se eu não ganhar, outra pessoa vai ganhar. Melhor eu do que eles!
Só então notou a criada ao lado da garota, vestida com uma saia de seda verde, esguia e bonita.
À sombra da aparência da jovem, todos ao redor haviam instintivamente ignorado a criada por completo.
Enquanto observava, Ding Songyan se virou para Xu Chang’an.
— Você já viu essa garota por aqui antes?
— Nunca — respondeu Xu Chang’an, genuinamente intrigado.
Se eu tivesse visto, já teria espalhado por toda a Travessa Chengyu.
— Ela não parece ser desta cidade — insistiu Ding Songyan.
Xu Chang’an, ainda mantendo as costas admiravelmente retas, soou bastante seguro.
— Definitivamente não é. Um rosto desses, andando sem véu e sem se cobrir como a Irmã Qingyan… Se fosse daqui, já seria tão famosa quanto Zheng Zhuxi, da Seita da Noite Clara. E Zheng Zhuxi nem é tão bonita assim.
Ding Songyan perdeu o interesse em ganhar dinheiro muito depressa, e sua testa se franziu ligeiramente.
Quando havia chegado e visto Ding Qingyan pela primeira vez, fora surpreendido pela aparência dela, mas não pensara muito no assunto. Instintivamente, presumira que aquele mundo simplesmente produzia pessoas bonitas como algo comum. Alguns dias caminhando pelas ruas haviam corrigido essa impressão. Aparências como a da irmã eram raras, talvez excepcionais. Nos dois dias desde que chegara, ele não vira ninguém remotamente comparável.
E agora, do nada, outra garota do mesmo nível havia aparecido. Não era conveniente demais?
Será que todas as belezas do reino haviam decidido se reunir na Prefeitura de Dingjiang?
Havia outra coisa. Aquela garota claramente adorava ouvir contadores de histórias. Ainda assim, Xu Chang’an nunca a vira ali nos dias anteriores. Isso significava que ela provavelmente chegara a Dingjiang no último dia ou dois.
E, nesses mesmos últimos dias, uma outra coisa havia acontecido: o segundo filho da família Ding desaparecera em circunstâncias estranhas e fora encontrado morto em um templo em ruínas fora da cidade.
As duas coisas talvez não tenham relação direta. Mas o momento me incomoda. Parece que algo está se acumulando na Prefeitura de Dingjiang. Ventos de todos os lados convergindo para um único lugar.
Ding Songyan refletiu em silêncio.
Enquanto isso, Xu Chang’an já se inclinava na direção por onde a garota de saia branca e sua criada haviam seguido.
Paf!
A mão de Ding Songyan disparou e o segurou pelo ombro.
— Onde você pensa que vai?
Xu Chang’an se assustou, depois piscou e disse:
— Aquela garota está carregando bastante prata e não parece prestar muita atenção nisso. Não está de guarda de verdade. Pensei em fazer um negocinho.
Ao ver Ding Songyan fitá-lo em silêncio, acrescentou, um pouco sem graça:
— Ela é bonita, sim. Mas eu ainda preciso de dinheiro para comer. Se eu não for, alguém do ofício vai.
— Além disso, ela não é a Irmã Qingyan. Não devo nada a ela.
Ding Songyan estalou a língua.
— Do jeito que vejo, uma garota como ela ou vem de uma família poderosa, com lutadores habilidosos por perto, ou ela mesma não é alguém fácil de lidar. Se você quer morrer, não precisa escolher logo hoje.
A expressão de Xu Chang’an desabou.
— Você tem razão!
Ele se virou para Ding Songyan com algo próximo de reverência.
— Irmão Ding, você soa igualzinho ao meu mestre. No nosso ofício, habilidade importa, mas o mais importante não é habilidade. É saber ler as pessoas. Quem pode virar alvo, quem não pode, quem é fácil, quem não é. É preciso enxergar tudo isso antes de agir.
— Meu mestre sempre disse que é nisso que eu deixo a desejar.
Não é habilidade, nem julgamento. O verdadeiro problema é o cérebro, e o seu ainda tem espaço para crescer…
Ding Songyan guardou o pensamento para si, deu alguns tapinhas no ombro de Xu Chang’an e disse:
— Pare de mirar vendedores de frutas e velhas com cestos de costura. Um homem destinado a se tornar um grande ladrão não pode se rebaixar desse jeito. Mesmo que ficasse conhecido por isso, só ganharia o desprezo dos outros.
Xu Chang’an o encarou. Depois de um momento, disse:
— Mas então como eu vou comer?
Você realmente não consegue evitar, não é? Deve existir trabalho honesto em algum lugar de um mundo com uma economia comercial desenvolvida…
Ding Songyan suspirou.
— Roube dos ricos para alimentar os pobres. Só daqueles que conseguiram riqueza por crueldade e ganância.
Ele não conhecia Xu Chang’an havia tempo suficiente para dizer mais do que isso. Deixou o jovem entregue aos próprios pensamentos, despediu-se e continuou vagando pelo lado de fora do Templo Dangkang, esperando por qualquer mudança que o alarme do homem de nariz manchado pudesse desencadear, torcendo para que aquilo trouxesse o perigo oculto à tona o quanto antes.
— Ding Songyan! Ding Songyan!
Alguém chamava seu nome não muito longe dali.
Ding Songyan se retesou, virou-se e olhou na direção da voz com um sorriso brando.
Era um homem que ainda não chegara aos trinta, com a cabeça envolta em pano preto e um emplastro de seu próprio estoque grudado no rosto, o que lhe dava uma aparência cômica.
Ele erguia uma placa de pano com duas linhas escritas: Cura garantida para quedas e ferimentos. Um emplastro, uma moeda de cobre.
Sem nenhum brilho literário, mas admiravelmente direto…
Ding Songyan não disse nada e esperou que o homem declarasse seu objetivo.
O homem do emplastro estava transbordando de animação.
— Ding Songyan, por que você não está no seu ponto hoje?
Ele apontou para um espaço vazio ali perto.
Então esse é o ponto que consegui por meio das conexões da família Zhen com a guilda. Será que dá para sublocar por dinheiro? Não me restou nenhuma habilidade de contador de histórias, mas, ouvindo agora há pouco, percebi que os contadores deste mundo não parecem usar aquelas técnicas elaboradas e frases tradicionais que eu conhecia. Falar com clareza e contar uma história coerente parece ser suficiente… Mas meu objetivo são artes marciais, não virar uma atração falante.
Antes que Ding Songyan pudesse dizer qualquer coisa, o vendedor de emplastros já começou a falar sem parar.
— Uma jovem senhorita estava perguntando por você agora há pouco! Parecia saída de uma pintura!
Oh?
A mente de Ding Songyan produziu uma imagem antes que ele pudesse impedir.
— Senhorita! Senhorita! — O vendedor de emplastros já chamava em voz alta. — Ding Songyan está aqui! Em toda a Prefeitura de Dingjiang, os relatos históricos dele ficam facilmente entre os três melhores!
Obrigado pelo elogio. A essência do comércio está bem aí. Todo mundo falando bem um do outro…
Como esperado, Ding Songyan se viu olhando mais uma vez para a garota de saia branca, com a criada ao lado.
A garota veio depressa, sem o menor recato, com uma expressão luminosa e ansiosa.
— Ding Songyan, quando você vai contar histórias hoje? Quero ouvir.
Ding Songyan piscou. Seus pensamentos se moveram depressa. Ele juntou as mãos em uma saudação de punhos cerrados.
— Senhorita, não tenho passado bem nestes últimos dias e pretendia descansar. Mas, já que deseja ouvir, posso narrar um trecho. Receio que não seja um relato histórico, e sim uma saga que aprendi recentemente. Se não for do seu agrado, não precisa deixar gorjeta.
Relatos históricos estavam além dele. Histórias, por outro lado, ele tinha um mundo inteiro de fontes de onde tirar.
Suas intenções eram claras e simples. Não estava atrás da prata dela, nem da garota em si. Queria apenas estabelecer uma conexão e deixar uma impressão favorável. Considerando qual poderia ser a origem familiar dela, um pouco de boa vontade no momento certo talvez valesse mais do que qualquer quantia de dinheiro. Anterior Próximo 🛒
Vai comprar algo no Mercado Livre?
Apoie a Central Novel usando nosso link de afiliados — o preço não muda pra você!! 💙
Faça uma Doação e ajude a manter o site ativo!
Conheça nossa Assinatura VIP e seus benefícios!!
## Comentários
(link externo)
5 4 votosAvalie!
Conectar comDEu permito criar uma contaQuando você faz login pela primeira vez usando um botão de Login Social, coletamos informações públicas do seu perfil da conta compartilhadas pelo provedor de Login Social, com base nas suas configurações de privacidade. Também obtemos seu endereço de e-mail para criar automaticamente uma conta para você em nosso site. Uma vez que sua conta é criada, você será conectado automaticamente a essa conta.DiscordoConcordoNotificar de Novas respostas aos meus comentários
Label
Nome*
Email*
Conectar comDEu permito criar uma contaQuando você faz login pela primeira vez usando um botão de Login Social, coletamos informações públicas do seu perfil da conta compartilhadas pelo provedor de Login Social, com base nas suas configurações de privacidade. Também obtemos seu endereço de e-mail para criar automaticamente uma conta para você em nosso site. Uma vez que sua conta é criada, você será conectado automaticamente a essa conta.DiscordoConcordo
Label
Nome*
Email*
Mais recente
Mais Antigo Mais votado Inline FeedbacksVer todos os comentários

Comentários (0)
Faça login pra comentar
EntrarNenhum comentário ainda. Seja o primeiro!