Cap. 8 O Contador de Histórias junho 1, 2026
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Meta 06/2026 (39,00%)Postado por miggigibe, ? Visualizações, Lançado em junho 1, 2026 Anterior ÍndicePróximo PDF
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Tradutor/Revisor: miggigibe
A garota de vestido branco simples olhou para Ding Songyan com uma mistura de expectativa e preocupação.
— Se não está se sentindo bem, talvez devesse voltar para casa e descansar primeiro. Eu… eu não tenho pressa.
Sua voz era suave e doce, muito agradável de ouvir.
Ding Songyan riu.
— Não é nada grave. Já estou vagando do lado de fora do Templo Dangkang há mais de duas horas. Só estou um pouco lento, com a cabeça enevoada. Se eu tropeçar nas palavras ou perder o fio da história mais tarde, espero que me perdoe.
Ele estava preparando o terreno com antecedência. Nunca havia contado uma história em público antes e não fazia ideia de como se sairia.
Enquanto dizia isso, uma nostalgia silenciosa tomou conta dele.
Nos tempos de escola, ele desprezava tudo aquilo: o jogo social, as manobras cuidadosas, a construção de contatos úteis. Acreditava que inteligência e uma compreensão profunda das coisas bastavam para resolver qualquer problema e conquistar qualquer sucesso. Então a realidade o derrubara. Ele se reconstruíra pedaço por pedaço, e agora ler pessoas, aproximar-se das certas e manter essas relações vivas havia se tornado instinto.
Nos últimos um ou dois anos, com o negócio dando certo e suas ambições temporariamente satisfeitas, ele se sentia cada vez mais cansado, no corpo e no espírito. Não fora feito para os negócios. Às vezes pensava que preferia voltar à tranquilidade da vida acadêmica, pesquisar algo de que realmente gostasse sem precisar tramar nada, e passar o tempo livre bebendo, falando bobagens e jogando com alguns amigos próximos. Que vida seria aquela.
Também sabia que isso era autoindulgência. Sem uma fortuna considerável já acumulada, pesquisar por amor e não por lucro o deixaria constantemente ansioso, incapaz de aproveitar qualquer coisa.
Em meio a esses pensamentos, Ding Songyan chegou ao ponto vazio que lhe pertencia.
Não havia cadeira, banquinho, nem qualquer adereço.
Ele reuniu os pensamentos e começou a considerar qual história contar.
Seu olhar passou pela garota de vestido branco e pela criada de saia verde. Uma ideia tomou forma.
Ele sorriu de leve.
— Caros ouvintes, a história que trago hoje é A Lenda da Serpente Branca.
Mesmo enquanto as palavras saíam de sua boca, ele observava a garota, a criada e o vendedor de emplastros ali perto, procurando qualquer sinal de reconhecimento no título. Queria julgar se uma história parecida já existia neste mundo.
Não que isso importasse muito. Ele já havia preparado o terreno. Aquela era uma lenda que aprendera recentemente, não algo que tivesse escrito por conta própria.
Se alguém afirmasse que se parecia com outra história, seria apenas uma questão de adaptação criativa.
Além da inspiração tirada das cores das roupas das duas mulheres, ele escolhera A Lenda da Serpente Branca por um motivo prático: a série de TV passara o tempo todo durante sua infância, e ele a assistira muitas vezes com a família. Quando adulto, vira todas as adaptações. Conhecia bem a estrutura da história e ainda se lembrava dos pontos principais. Improvisar cenas e diálogos detalhados na hora tinha mais ou menos o mesmo nível de dificuldade que pintar uma grande visão diante de investidores com slides de PowerPoint em mãos.
Essa também era uma das razões pelas quais ele não se preocupava muito com alguém acusá-lo de “tomar emprestado” o material de outra pessoa. Fora os principais pontos da trama, todo o resto precisaria ser inventado na hora. Duas versões jamais sairiam iguais.
Ao ver pequenas expressões de curiosidade surgirem no público ao redor, Ding Songyan soltou um suspiro discreto.
No mínimo, A Lenda da Serpente Branca não existia na Prefeitura de Dingjiang.
Quando ouvira romances e sagas heroicas mais cedo, havia apenas histórias de donzelas celestiais descendo ao mundo mortal e se apaixonando por homens, não histórias de amor e ressentimento entre yao e humanos.
O espaço aberto ali era relativamente silencioso. Não havia artistas com gongos e tambores por perto, nem praticantes marciais chamando público para demonstrações. Aquilo era proposital. O mercado havia organizado as atividades para que os ofícios mais silenciosos e literários ocupassem uma área, enquanto os mais barulhentos e físicos ficassem em outra, com vendedores intermediários servindo de separação entre os dois grupos. Assim, ninguém atrapalhava ninguém.
De pé no espaço aberto, Ding Songyan sentia muito pouco do que se poderia chamar de nervosismo. De um modo estranho e desorientador, aquilo parecia exatamente como ligar um projetor e abrir slides diante de investidores.
A compostura familiar se assentou sobre ele, como se viesse de outra vida.
Uma vida que já parecia distante havia algum tempo.
Depois de identificar a garota dos olhos levemente erguidos e do queixo pontudo como sua “investidora” potencial mais promissora, Ding Songyan começou devagar.
Ele colocou a história em tempos antigos logo na primeira frase, para se poupar depois de perguntas inconvenientes sobre onde ficavam o Monte Qingcheng, o Lago Oeste ou o Templo Jinshan.
Eu realmente não sei. É tudo de tempos antigos.
Ele começou pela história da primeira encarnação de Xu Xian salvando a vida da pequena serpente branca. Para preencher os detalhes, já que havia esquecido havia muito tempo como o drama de televisão lidava com aquilo, costurou uma cena de sua própria invenção. A serpente quase congelada fora colocada dentro das roupas de Xu Xian e aquecida com o calor do corpo.
A partir dali, a serpente branca cultivou em sua caverna por mil anos, finalmente alcançou a iluminação e assumiu forma humana. Guiada por um bodisatva, partiu com Xiaoqing para encontrar a reencarnação de Xu Xian e retribuir a bondade recebida, para que a dívida kármica entre eles pudesse ser encerrada.
Enquanto falava, Ding Songyan mantinha um olho na garota de vestido branco. Ela ouvia com atenção absoluta. Até sua respiração se tornara leve e silenciosa. Seus olhos escuros brilhavam, luminosos, sem um traço de lágrimas e, de algum modo, cheios delas.
Boa recepção até agora… A “investidora” potencial está envolvida…
Ding Songyan ficou mais confiante.
Ele sentiu que a mudança da Senhora Bai, de alguém que procurava Xu Xian apenas para retribuir uma bondade para algo mais profundo, precisava de cenas adequadas para fazer a transição emocional. Mas não se lembrava de detalhes suficientes. Então, em silêncio, incorporou alguns episódios de sua própria vida amorosa. Reformulou coisas que fizera por uma ex-namorada e que realmente a haviam tocado, então as entrelaçou à história.
Primeiro, um encontro casual no Lago Oeste, onde os dois se abrigaram da chuva no mesmo barco. Um guarda-chuva foi oferecido e um nome trocado na despedida. Depois, a Senhora Bai afirmou ter vindo a Lin’an para copiar sutras budistas em um templo, cumprindo um voto. Porém, por medo de ir pessoalmente, só pôde se desculpar dizendo que estava indisposta. Xu Xian, com pena de sua “fragilidade”, foi ao templo em seu lugar e passou muitos dias copiando os sutras por ela.
Depois, quando muita coisa já havia acontecido entre os dois, eles foram rezar diante de uma grande árvore conhecida por sua eficácia em assuntos do coração. Um era humano, a outra era yao, e ambos já haviam desenvolvido sentimentos. No exato momento em que ergueram a cabeça, seus olhares se encontraram.
Nesse ponto, Ding Songyan decidiu parar por ali. Se o objetivo era construir uma ligação com a garota ao longo do tempo, a pior coisa que poderia fazer seria terminar rápido demais. Por que encerrar tudo em um dia? Uma semana seria o mínimo. Duas, melhor ainda. Encontrar-se todos os dias até que se tornassem rostos familiares um para o outro.
Então, se algo acontecesse e ela tivesse meios de ajudar, seria muito mais provável que ajudasse alguém conhecido do que um estranho. A resposta era óbvia.
Para o encerramento, Ding Songyan sentiu que a apresentação daquele dia fora um pouco tranquila demais. A história ainda não oferecera reviravoltas suficientes. Ele já havia atraído algumas dezenas de ouvintes, mas principalmente pela novidade do estilo e pelo frescor de um romance entre humano e yao como tema. Se deixasse Xu Xian e a Senhora Bai navegarem até o casamento sem nenhum incidente naquele dia, o público não teria um motivo especial para voltar no dia seguinte.
Com isso em mente, e especialmente com o objetivo de dar à garota de vestido branco uma razão para retornar, Ding Songyan mudou de rumo. Antes que o casamento pudesse acontecer, trouxe Fahai para a história. O monge parou do lado de fora da hospedaria onde a Senhora Bai e Xiaoqing haviam ficado certa vez, murmurando consigo mesmo que sentia energia yao.
Ele viu a preocupação se espalhar ao mesmo tempo pelo rosto dos ouvintes e encerrou exatamente ali.
— Como diz o ditado, o Lago Oeste é belo em março. A chuva da primavera é como vinho, os salgueiros como fumaça. Os predestinados se encontram mesmo separados por grandes distâncias. Os sem destino não conseguem dar as mãos nem frente a frente. Se quiserem saber o que acontece a seguir, ouçam a próxima parte!
A garota de vestido branco abriu a boca, retrato perfeito da relutância.
Logo agora?
Ding Songyan olhou ao redor com discreta satisfação e juntou as mãos.
— Não trouxe adereços hoje, então não há necessidade de gorjetas. Se gostaram, voltem amanhã.
Ele não tinha intenção de aceitar a prata da garota naquele dia. Queria deixar uma impressão específica. Mas não podia destacá-la dos demais. Fazer um favor a alguém sem motivo aparente costumava deixar a pessoa em guarda, em vez de conquistá-la. Então estendeu o mesmo tratamento a todos e não recolheu nada de ninguém.
— Que modéstia, Ding Songyan! — gritou um ouvinte, aprovando.
A garota de vestido branco, que já segurava dinheiro pronto, não teve escolha senão desistir. Ela demorou a ir embora enquanto a multidão se dispersava. Quando a maior parte das pessoas já havia partido, aproximou-se com a criada.
— Ding Songyan, aquele monge chamado Fahai vai encontrar a Senhora Bai e Xiaoqing?
Com certeza não. Se ele as descobrir tão cedo, como vou continuar inventando a história, deixar a Senhora Bai e Xu Xian abrirem uma farmácia em paz, fazer os dois se amarem e terem um filho, ou permitir que a Senhora Bai e Xiaoqing usem magia yao para resolver problemas? Nenhum dos momentos satisfatórios que preciso plantar pelo caminho aconteceria. Amanhã vou deixar a ameaça passar raspando e depois ir embora. Crise de verdade, só no gancho do final…
Ding Songyan sorriu.
— Volte amanhã e descubra.
A garota de vestido branco inflou as bochechas.
— Está bem.
Ela não insistiu, mas perguntou com preocupação sincera:
— Você ainda está indisposto? Conheço vários médicos habilidosos.
É melhor você voltar amanhã…
— Já estou bem — disse Ding Songyan. Seus pensamentos se moveram depressa. — A verdade é que alguém tentou me matar há pouco tempo. Ainda não sei quem foi, e essa preocupação tem pesado sobre mim. Minha mente não está muito certa desde então. Foi por isso que não me atrevi a sair para contar histórias antes de hoje.
Ele disse aquilo de modo casual, sem pedir nada. Queria apenas plantar o fato na mente dela.
Os olhos brilhantes da garota se iluminaram de imediato. Ela se virou e trocou um olhar com a criada.
Tudo que ela pensava estava escrito claramente em seu rosto.
Finalmente. Uma chance de fazer algo heroico!
Ela pigarreou e sorriu para Ding Songyan.
— Bem, eu entendo um pouco de luta. Se houver algo em que eu possa ajudar, pode me procurar no Salão Tianyang. Pergunte por… pergunte por…
Ela tropeçou levemente, lançou um olhar para a criada de saia verde e recuperou o sorriso radiante.
— Pergunte por Xiaoqing!
Ding Songyan mal conseguiu conter a alegria.
— Muito obrigado, heroína. Sou profundamente grato!
O sorriso da garota floresceu ainda mais. Mas, sem saber direito o que dizer em seguida, ela apenas acenou para dispensar a formalidade. Quando se virou para ir embora, seus olhos caíram sobre um velho que vendia espetinhos de frutas caramelizadas ali perto.
Ela tirou algumas moedas de cobre imediatamente, comprou dois e estendeu um para Ding Songyan.
— Você não aceitou prata hoje, mas não posso ouvir de graça. Metade deste espeto é sua. É muito doce!
Ela já lambia o próprio espeto enquanto falava, afastando-se satisfeita antes que Ding Songyan pudesse recusar.
Ela nem perguntou se eu gosto de fruta caramelizada…
Ding Songyan pensou, divertido.
Ainda assim, mordeu uma fruta e mastigou.
Já estava perto do meio-dia, e a fome começava a se fazer sentir de verdade.
Ele pensou um pouco. Desde que o homem do nariz avermelhado fugira, nada havia acontecido. O motivo mais provável era que a área ao redor do Templo Dangkang tinha grande movimento e era bem vigiada pelas torres. Quem quer que estivesse por trás disso não se arriscaria a agir abertamente ali.
Com isso em mente, Ding Songyan deixou o Templo Dangkang na direção das barracas de comida mais baratas. Tornou sua intenção óbvia e seguiu pelas vielas mais silenciosas e pouco movimentadas.
Em menos tempo do que levaria para beber uma xícara de chá, entrou em um beco vazio.
Atrás dele, passos soaram de modo inconfundível.
Ding Songyan girou o corpo.
O homem de lenço de pano na cabeça estava ali de novo.
O homem do nariz avermelhado.
Seu rosto misturava fúria e medo. Ele encarou Ding Songyan.
— Ding Songyan. Por que você voltou? Anterior Próximo 🛒
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